Por: Ana Caroline
São 5 da manhã, ela já está de pé. Pronta
para mais um dia...
Mais um dia de
luta pelo caminho de uma mulher negra e anônima.
Ela olha pela janela do seu cômodo e vê que o dia ainda não deu bom
dia. Espera a luz do sol insinuar sua claridade.... Afinal, mulher na rua
sozinha a essa hora está pedindo...
No ponto de
ônibus alguns olhares. Boca cor de vinho, vestido e salto está pedindo...
Olhares no ponto de ônibus não são nada quando comparados a dança
das mãos bobas no vagão do metrô...vão além da linha vermelha. Ela encara, bate
de frente e escuta: 'Com uma nega dessas, não tem como se conter'.
Sua bolsa pesa, seus pés doem, sua cabeça gira em rodopios
indignados. Ela está séria.
- Com certeza está se fazendo difícil! (Pensam eles). Até porque, na
testa dela está escrito "Eu estou pedindo".
É assim o cotidiano dessa mulher: casa, comida, roupa lavada, dois
ônibus, metrô, trens, submarinos, unhas quebradas, o sapato apertado e a bolsa
pesada.
“Com que roupa você estava quando foi assediada? ” “Foi só um
elogio! ” “Você estava pedindo...? ”.
E mesmo assim querem que ela sorria diante dos "fiu fiu",
que se cale quando molestada, que seja passiva por ser mulher em uma sociedade
machista.
Bela, recatada
e do lar.... Não! Ela é bela, debochada e de onde ela quiser!

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