Milton Reis Cunha Júnior, nascido
em Belém do Pará, no dia de São José, 19 de Março de Um mil novecentos e alguma
coisa. Um Brasileiro que faz a diferença e escolheu a ocupação mais distinta,aquela
quedifere, que faz dele no mínimo desigual, diverso. Essa diferença apresenta o
dessemelhante e tão distinta quanto o próprio. Um homem cheio de artimanha, com
um plano muito bem articulado e o único objetivo de levar centenas de ávidos
espectadores ao engano, este sem dolo. A vontade de enganar, aqui por si só,
não é fraude, é algo pensado, cheio de astucia, audácia e com muita
estratagema. Um esquema pensado, planejado e articulado com a finalidade
concreta, objetivo específico de transportar cerca de cento e vinte mil pessoas
durante oitenta e cinco minutos, oito carros alegóricos, com até quatro mil
componentes para um mundo de onde somente ele, consegue conceber a partir da
combinação de ideias. Vossa excelência o carnavalesco Milton Cunha.
O carnavalesco fala, sobre a
sua homossexualidade e a importância de encorajar as pessoas que ainda não se
assumiram a fazê-lo.“O importante não é só encorajar as pessoas que ainda não
se assumiram, mas principalmente mostrar a sociedade o tamanho de sua
hipocrisia”. E continua: “Você percebe o absurdo da nossa situação quando é
preciso criar uma data apenas para podermos dizer aquilo que naturalmente somos
aquilo que nos constitui no nível mais básico, e aquilo pelo que sentimos.Mas
por isso mesmo acho importantíssimo mostrar a crueldade que é impedir as
pessoas de serem o que realmente são”.
Esse homem composto da união
de vários elementos distintos, de voz rouca, anunciada e forte, que prega a
bondade e a grandeza de espirito começa a carreira de carnavalesco na
Beija-Flor em 1994 com o enredo “Margareth Mee, a Dama das Bromélias”, ficou em
quinto lugar e permaneceu na escola até 1997. Na terra da garoa em 2001 fez o
carnaval da Leandro de Itaquera, da zona leste de São Paulo e ficou em oitavo
lugar com o enredo “Os Segredos de Ariau”. A partir daí torna-se cidadãodo mundo
rodando por Toronto, Estocolmo, Londres, Johanesburgo e Angola.Comentarista
veterano e com muitos quilômetros rodados quando o assunto é carnaval, Milton Cunha
conquista o publico e garante a alegria de quem acompanha os desfiles das
escolas de samba do Rio de Janeiro pela Televisãocom os seus comentários. As
pessoas gostam de ouvi-lo chamar a Fatima Bernardes de “amada” e as
transmissões ganham um ar todo especial com os seus comentários.“Como era o
nome do cozinheiro Milton?” Pergunta a colega de transmissão, e em seguida
ouve-se a voz peculiar de Milton Cunha “FrancoisVatel... e dizem que foi ele
quem inventou o chantilly... ele era babado!”.
Irreverência pouca é bobagem.
Cunha consegue variar o variegado. O variado ganha “tonsurton” sofre
reformulação e fica original.Responsável pelos momentos mais hilários da
transmissãoconfidencia, sem modesta alguma, que quer muito mais. Tem o sonho de
fazer uma novela na emissora, onde é contratado para comentar os desfiles, e ter
um programa solo.Cunha foi escolhido pela “Liga de carnavalAssociação Samba é
Nosso” para ser diretor cultural e aceitou dizendo: “ O futuro não é o que se
teme, o futuro é o que ousa”.Em 2015, lançou o livro “Carnaval é Cultura,
poética e técnica no fazer Escola de Samba”. Desde outubro de 2017, comanda “O
Cabaré do Milton”, todas as quintas-feiras, no bairro da Lapa, no Rio de
Janeiro em que reúne ritmistas, passistas e cantores em um show de samba. Cunha
define o espetáculo como“Uma grande festa” com quatro horas de duração,
misturando samba, carnaval, circo e poesia”.
O futuro não é o que se teme,
o futuro é o que ousa.
O rapaz que sofreu
reformulação original sem ter alterado sua essência ou origem. De vez em quando
ainda percebe-se um sotaque vindo lá do Pará tão peculiar comoas chuvas que
desaba morna por lánorio Guajará que parece mar. A devoção à nossa Senhora de
Nazaré, as mangueiras enormes espalhadas pela cidade, ao tacacá, açaí salgado,
pirarucu, o mercado Ver-o-Peso com as benzedeiras e seus milhares de pozinhos,
loções e óleos para curar desde unha encravada a dor de corno não tem igual. E
assim também é tão exótico quanto Belém, que vale por si só e sem semelhante
único em sua espécie é Milton Cunha.
E como
disse Marcio Kuhne: “O que diferencia as pessoas extraordinárias das comunsé:
Amor, humor e Inteligência”.
Se bem soubéssemos faríamos desta preposição
preliminar, o nosso lema de vida. A fim de comprovar a tese principal de que
desejamos estabelecer como sentença, objetivo e ideal para as nossas vidas.
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